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acervo e pesquisa - biografia de mulheres
detalhes

Rosinha de Valença (1941 - 2004) - VOLUME 2

Século:

XX
Estado: RJ
Etnia/cor: Branca
Atividade: Violonista, compositora e arranjadora
Descrição:

Um dos mais respeitados nomes femininos da música brasileira, Maria Rosa Canellas, nascida em Valença, município do Estado do Rio de Janeiro, ganhou de Stanislaw Ponte Preta- o jornalista Sérgio Porto- o nome artístico de Rosinha de Valença. Ponte Preta costumava dizer que Valença era mais que uma homenagem ao seu local de nascimento, e sim um direito, já que ela cantava por toda uma cidade.
A paixão pela música começou ainda criança, ao mostrar interesse pelo violão utilizado pelo irmão Roberto, nos ensaios de um conjunto regional. Se do irmão recebeu os primeiros incentivos, do tio, seresteiro, conhecido como Fio da Mulata recebeu as primeiras noções sobre o instrumento. Desde então, autodidata e sozinha, a partir das melodias que escutava pelo rádio, aos 12 anos, aliando interesse e talento, já se apresentava na rádio da região e animava festas e bailes.
Opção nada fácil para uma mulher-ainda mais nascida em uma cidade do interior-, em 1963, aos 22 anos, abandonou os estudos e transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro. Os preconceitos-e a indiferença de seus conterrâneos/as-, não tardaram a aparecer e Rosinha precisou ser bastante persistente para enfrentá-los, o que fez sempre com muita determinação e competência profissional. O apoio da família destacava Rosinha, foi fundamental nessa época.
Nesse mesmo ano em que chegou ao Rio de Janeiro e foi "batizada" por Stanislaw, gravou seu primeiro disco e passou a trabalhar com Baden Powell. Três anos depois viajou pelos Estados Unidos com o grupo Brasil 65, de Sérgio Mendes. Também vários países da Europa renderam-se ao talento de Rosinha, solista de um grupo criado pelo Itamaraty para divulgar a música popular brasileira no exterior. O retorno ao Brasil aconteceu em 1970, após apresentações na URSS, Israel e países africanos.
No Brasil, em meados da década de 1970 era uma celebridade, reconhecida em ruas
e praia. Profissionalmente acompanhou e produziu discos de Martinho da Vila, Nara Leão, Maria Bethânia e Miúcha, dentre muitos outros, além de haver tocado com grandes nomes da música internacional, como a cantora de jazz Sarah Vaughn e o saxofonista Stan Getz.
Em 1974 a banda que organizou, experimentou grande sucesso e, em diferentes formações contou com a participação do pianista João Donato, o flautista Copinha e as cantoras Ivone Lara e Miúcha. Nesse mesmo ano, como reconhecimento por sua brilhante atuação, foi premiada pela Ordem dos Músicos do Brasil. Além do Brasil seus discos foram lançados, por diferentes gravadoras, nos USA, Alemanha e França.
Mulher de fibra, não por mera coincidência era fã das histórias em quadrinho da Luluzinha- personagem criado em 1945 pela americana Marjorie Buell-, uma menina ousada e desafiadora das atitudes de dominação de seus colegas do sexo masculino, como lembrou certa vez seu grande amigo, o músico Turíbio Santos. Com ele Rosinha morou em Paris, de 1988 até 1992, quando em férias no Rio de Janeiro, sofreu uma parada cardíaca que resultou em morte cerebral e foi levada para sua Valença.
O movimento dos olhos foi, a partir de então, a única ação realizada por Rosinha durante os 12 anos em que permaneceu em estado vegetativo, completamente dependente e cuidada pelas irmãs: Maria Geracina, a Mariló e, após o falecimento desta, por Maria das Graças.
Morando em um quarto construído nos fundos da casa da irmã, em um bairro humilde da cidade- no qual um bandolim e um violão, ao lado da cama, lhe faziam companhia-, a família Canella enfrentou ainda, dificuldades financeiras. Duas enfermeiras pagas pela prefeitura de Valença colaboravam no acompanhamento de Rosinha, contudo, era de responsabilidade da família uma terceira, que substituía folgas, além de medicamentos, alimentação, fraldas e plano de saúde.
Contudo, apesar do sofrimento que sempre sentiu ao ver Rosinha em estado de coma, das Graças revelou a um jornal, que a família jamais cogitou optar pela eutanásia, apesar da autorização judicial concedida. Para alguns amigos/as sempre houve dúvidas, se ela compreendia ou não, o que se passava ao redor. Há quem se lembre de haver reparado algumas vezes, lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. A família ressentia-se ainda da solidão a que foi relegada Rosinha, que recebia raras visitas.
Dois anos após entrar em coma, um grupo de artistas realizou na casa noturna Canecão, no Rio de Janeiro, um show beneficente para ajudar com as despesas e manter viva a memória da artista. A primeira de algumas apresentações e campanhas realizadas ao longo dos anos.
Enterrada sem a presença de nenhum artista famoso/a, aos 62 anos, Rosinha a mulher que deixou por onde andou sua emoção e talento, finalmente descansou. Libertou-se, assim, da imobilidade de movimentos, sobretudo das mãos, que a ajudaram a construir sua trajetória de vida e a escrever- no feminino-, a história da música brasileira.

 


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