Wikipédia Quem Somos Mulher 500 Publicações Parceiros Links Home Contato Home
  Nesta seção além de obter informações sobre as temáticas relacionadas ao papel da mulher na história do Brasil, você pode também nos ajudar a construir de maneira participativa e democrática o Dicionário Mulheres do Brasil - Volume II, através desta ferramenta.  
COLABORE
Login:
   
Senha:
   
Cadastre-se aqui
  Esqueci minha senha
 
Mini-biografias contidas no "Dicionário Mulheres do Brasil Volume I (publicado) e Volume II (a publicar).
 
Busca Alfabética
| A-C | D-G | H-L | M-P | Q-Z |
Busca Avançada
Nome:
Século:  
Estado:  
Etnia/Cor:  
Atividade:  
Palavra-chave  
Volume:   I II (Wiki)
 
  Guia de referência bibliográfica com a temática de gênero, etnico-raciais e direitos humanos.  
Busca
Palavra-chave:
   
Artigos, Dissertações e Teses.
Busca
Palavra-chave:
Tipos:
Nesta seção estamos disponibilizando cartazes produzidos pelo Movimento Feminista, Movimento de Mulheres, Ong's e Instituições públicas; que tratam de temáticas relacionadas a defesa dos Direitos Humanos das Mulheres.
Busca
Palavra-chave:
Categoria:
 

 

Wikipédia
Em breve!
publicações

Mulheres Negras do brasil

Exposição

1 2 3 4 5 6

2 - Apresentação

A realização do projeto Mulheres Negras do Brasil significou um intenso mergulho em contundentes silêncios da historiografia brasileira. Saltos foram dados à procura das personagens femininas de origem africana. Nas profundezas do oceânico esquecimento nacional, buscou-se garimpar representações, imagens, cenários e contextos daquelas que foram determinantemente co-responsáveis pela construção do país. Largas braçadas foram dadas entre o passado e o presente. A esperança transformou-se em fôlego e bússola para se chegar as memórias que repousavam submersas pelas visões etnocêntricas, abordagens míopes que prevaleceram por séculos na maneira de contar a história do Brasil. Durante os últimos três anos tentou-se recuperar nomes, procedências, trajetórias e tradições. Foram mais de cem instituições contatadas nas diferentes regiões do país e dezenas de arquivos públicos e bibliotecas reviradas. Constatou-se que é gritante a ausência de registros sobre a participação das afro-descendentes na formação do Brasil.

Diante destes vazios e esquecimentos que, já há muito tempo, causa incomodo e chama atenção, projetou-se também esta modesta exposição. Nela apresenta-se um brevíssimo resumo do que foi reunido no livro Mulheres Negras do Brasil, no qual estão disponibilizadas imagens e informações que permaneciam esparsas em acervos institucionais, coleções particulares, livros, teses, periódicos e na lembrança das pessoas. Em quatro grandes capítulos, estão reproduzidos cerca de 950 documentos iconográficos selecionados entre os milhares levantados. São pinturas a óleo, aquarelas, gravuras, desenhos e fotografias que revelam identidades e embelezam a obra.

Espera-se que o resultado deste empenho represente um sopro de incentivo a mudança de mentalidade e a superação de preconceitos, mesmo que modestamente, possa contribuir positiva e diretamente para o combate às atitudes discriminatórias. E ainda, muito especialmente, espera-se com este projeto estimular a realização de novas pesquisas, novos desdobramentos, que somados a este, possam servir de referência, pois é impreterível e imperiosa a necessidade de disponibilizar dignamente para as próximas gerações, dados fundamentais ao entendimento e à justa valorização das múltiplas funções exercidas pelas mulheres de origem africana na história do Brasil.

Por certo este é um mosaico incompleto, uma iniciativa aberta e viva. Que seja este apenas um mergulho, outros se seguirão sempre mais profundos e melhor orientados com a inclusão de novas fontes, críticas e correções.
 
3 - Elas nos primeiros séculos do Brasil

Em janeiro de 1454, o papa Nicolau V reconhecia na bula Romanus Pontifex a posse dos territórios africanos “descobertos” pelo reino de Portugal. Esse documento determina que os “muitos habitantes da Guiné e outros negros” deveriam ser convertidos à fé cristã e poderiam ser capturados, conquistados, subjugados ou lançados à “escravidão perpétua”.

 Estima-se que aproximadamente 15 milhões de pessoas oriundas dos mais diversos grupos étnicos, vilas e cidades do continente africano foram trazidas para as Américas na condição de escravizados. No Brasil, entre meados do século XVI e a década de 1850, chegaram cerca de quatro milhões de homens e mulheres para  trabalharem na construção e no desenvolvimento de cada uma das regiões do país.

Dentre as diversas funções que as mulheres de origem africana exerceram, o ir e vir das quitandeiras no comércio ambulante, foi uma das atividades mais retratadas na produção iconográfica dos primeiros quatro séculos. Essas personagens anônimas remontaram na diáspora o universo de cores, sons, mistérios, aromas e sabores que guardavam na memória. Foram elas, as negras, com seus cestos e tabuleiros que ocuparam maciçamente os caminhos, ruas, praças e mercados das primeiras vilas e cidades brasileiras.

Deste outro lado do Atlântico, assim como em Lisboa, as africanas ajudaram a estruturar e reorganizar sociedades que entre si articulavam estratégias de resistência. Fundaram quilombos e mocambos, instalaram negócios e estabeleceram continuamente redes de comunicação entre os três continentes.

 

4 - Abolindo o Império

Os reagrupamentos dos diversos povos de procedência africana e suas inumeráveis ramificações aconteceram, principalmente, através de seus parentescos lingüísticos. Ao longo dos tempos, foram genericamente distinguindo-se como nações, as quais não se caracterizaram obrigatoriamente como linhagens, territórios, tribos ou reinos precisos de origem.

As africanas e depois suas descendentes, empreenderam diferentes ações de resistência ao sistema escravista. Algumas coletivas e mais diretas, como rebeliões e formação de quilombos, outras, estratégias mais elaboradas, como fugas e compra de alforrias. Apesar dos poucos direitos que contavam, foram identificando as brechas abertas na legislação e freqüentemente levaram os exploradores escravocratas aos tribunais.

As irmandades religiosas instituídas pela Igreja, oficialmente liberadas e estimuladas entre a população negra, também funcionaram como espaço de resistência e manutenção das diferentes tradições africanas. Embora na diáspora tenham ocorrido inter-relações e integrações étnicas determinantes e estruturais, alguns grupos conservaram de modo predominante a memória mítica de seus povos.

A continuidade e reprodução de seus saberes e ritos se sustentaram, na essência, por transmissão oral, de geração em geração. Estabeleceram analogias, incorporaram experiências e reedificaram o caráter primordial, universal e perene de suas tradições. Apesar de enfrentarem perseguições extremas durante séculos, as comunidades negras organizadas ao redor das chamadas famílias de santo, foram capazes de resistir e preservar vivas suas cosmogonias, seus ritos e símbolos de imensurável valor.

Inúmeras foram as mulheres anônimas, escravizadas e forras, iabás e sacerdotisas, devotas e santificadas, benzedeiras e parteiras que inventaram, recriaram e experimentaram em seus afazeres cotidianos diferentes maneiras de sentir e imprimir outros significados para os termos esperança e  liberdade.
 
5 - Rasgando os panos

Tanto na primeira Constituição brasileira de 1824, quanto na Carta Magna republicana de 1891, o sufrágio figurava como possibilidade de poucos. Embora não explicitada nas leis, a exclusão do direito ao voto de alguns segmentos, na pratica, era um fato. Entre esses, o contingente feminino da população e a grande maioria das pessoas de ascendência africana. Na época havia o entendimento implícito de que o mundo da política não era “lugar de mulher”, assim como os pré-requisitos de escolaridade e renda dos eleitores afastavam a maior parte do povo das urnas.

As mulheres alcançaram o direito de votar em 24 de fevereiro de 1932. Entretanto, o executivo e o legislativo brasileiro, em todas as suas instâncias, ainda hoje revelam o sexo e a cor historicamente predominante. Os percentuais de variação de gênero e raça na representatividade popular demonstram que muito pouco mudou nestas últimas sete décadas. Todavia, cada vez mais, ressalta-se a participação e a militância sociopolítica das afro-descendentes. São elas que vêm contribuindo determinantemente para que se insira na pauta e na agenda nacional, ações verdadeiramente eficazes para a conquista da tão esperada igualdade social.

Os diversos palcos culturais e os múltiplos cenários artísticos, assim como os pódios esportivos, revelaram ao mundo ícones femininos afro-brasileiros. Foram e são muitas artistas e atletas negras, das diferentes áreas e modalidades, que emocionaram e encheram de orgulho o país com sua criatividade, talento e garra.
 

6 - República das Mulheres

Em terras brasileiras, desde que aconteceram os primeiros contatos entre os povos dos três continentes, a pretensa superioridade étnica dos europeus fez com que os indígenas e africanos fossem considerados “meros selvagens”. Seus códigos, hábitos, culturas e costumes, foram vistos como inferiores àqueles estabelecidos pelas cortes do velho mundo.

No período pós-abolição os nocivos estereótipos atribuídos às populações de origem africana foram sistematicamente reforçados. Sentindo literalmente na pele a discriminação racial, muitos homens e mulheres negras reafirmaram seus valores estéticos e através da beleza dos seus signos ancestrais de pertencimento, determinaram e singularizaram diferentes modos do ser brasileiro. Em todas as regiões do país, empreenderam iniciativas voltadas para a escolarização de suas crianças e criaram novos mecanismos de integração. Fundaram jornais, clubes e organizações que promoveram a união e a abertura de caminhos para a superação das injustiças advindas do preconceito de cor.

As afro-descendentes, ainda que sem o devido reconhecimento, desempenharam múltiplas e fundamentais funções no desenvolvimento e na consolidação social, cultural e econômica da então recém instaurada República Federativa do Brasil. São incontáveis os exemplos de dignidade e força de mulheres negras que, ao longo do século XX, ajudaram a romper as barreiras do sexismo e da intolerância as diferenças.
 
REDEH 2008 ©. Todos os direitos reservados.